Evadir-me, esquecer-me, regressar
À frescura das coisas vegetais,
Ao verde flutuante dos pinhais
Percorridos de seivas virginais
E ao grande vento límpido do mar.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Caminho
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Vazio
Permite-me Ser

Deixa-me ser…
Deixa-me evoluir…
Não me prendas no teu querer!
Não tenhas a pretensão de definir por mim!
Não queiras o que eu não quero ser…
Não me espelhes nas tuas angústias…
Não ouças apenas as palavras que queres escutar….
Os nossos lados mais negros,
E os que nos rodeiam,
Trazem ecos distorcidos,
Como se falassem por nós!
Não permito que me amordacem a Alma
Simplesmente permite-me Ser!
quinta-feira, 11 de junho de 2009
"O ÚLTIMO BEIJO"

as bocas ameaçaram jamais desunir-se,
a lua,cúmplice apaixonada,
derramava sobre eles o seu leite como uma bênção.
eram tantas as palavras para serem ditas
e tantas outras para se calar..
era o tempo chamando para ir
e o desejo querendo ficar..
na sofreguidão daquele beijo cálido
agonizavam as últimas estrelas
e a lua já findava o seu reinado.
se o desejo fosse mais forte que a razão a noite seria eterna,
porém nem aquele ávido amor era eterno,a breve noite não poderia ser.
assim como o último beijo é eterno enquanto dura,
e faz-se presente em cada despedida,
aquele seria apenas o último..até o próximo adeus.
é aquele que fica,que permanece intacto na memória.
tão último que ainda continua húmido nos meus lábios.
tão quente que acende a chama da lembrança,
e a saudade arde.
é a vontade de ter novamente aquela madrugada nos olhos.
é o desejo de ter tão ávidos beijos,infinitos abraços,eterno amor,
que embora se finda a cada despedida,
renasce na luz da lembrança.
e quando não há mais nada do que se recordar,permanece a marca..
como uma cicatriz de paixão,
como a união de todos os desejos,
como se a vida fosse acabar.
é eterno,mesmo sendo efémero.
é o que fica da saudade.
um momento de amor.
o último beijo..
- Anónimo
terça-feira, 2 de junho de 2009
Quero apenas cinco coisas..

Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
(Simplesmente, porque me captou a atenção...)
Acorda....
Como podes querer que os teus sonhos se concretizem no futuro, se te esqueces do que é mais basilar… Em primeiro lugar tens de te encontrar e de te identificar…..
No mundo real, seria como colocar um GPS no teu interior para que o teu entendimento sobre ti mesma fosse mais simples e fácil.
Obviamente que a colocação desse GPS, iria ter efeitos bícudos, pois por um lado irias saber mais sobre ti mesma e por outro irias encontrar uns quantos defeitos e mossas de acidentes do teu próprio percurso….
Por isso existem dois tipos de pessoa. As que ignoram, assobiam e vão para onde o vento as levar. Outras, pelo contrário, fincam os pés arregaçam as mangas e lutam pelas suas convicções e vontades.
Não consigo entender os que se encolhem, desistem, barafustam e fogem, repetidamente e ciclicamente… Não compreendo que te incluas no grupo dos que desistem sem dar luta…. Acorda... O despertador ainda não avariou. ...
segunda-feira, 23 de março de 2009
O que é o silêncio?
Deixei atrás os erros do que fui
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exacto nem feliz.
Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.
Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua.
Poesias Inéditas (1930-1935)
Fernando Pessoa

